O melindre, o Flamengo e a síndrome da Colônia.





Lá vai eu falar do Flamengo fora de campo. Confesso que prefiro falar do Flamengo dentro de campo. Até porque eu sou Flamengo pelos gols, dribles, defesas, vitórias e derrotas e não por causa de planilhas, declarações, CNDs e todo o bla bla bla que vem ocupando mais a cabeça de alguns rubro negros. Pois é, cada um tem a sua expectativa e sua opinião sobre o Flamengo e assuntos que o rodeiam. Mas a vida é assim, feita de escolhas e devem ser respeitadas, por mais que você não concorde com elas.

Desde o início do ano, o futebol do Flamengo tomou um novo rumo. Não é segredo para ninguém, muito menos para os jogadores que lá estão que adotou-se uma postura de não ter medalhões no time que tivessem um péssimo custo-benefício. E a diretoria tratou de tirá-los do elenco do Flamengo. É certo? É errado? Foi uma escolha e temos que respeitá-la. O que não significa que você (nem eu) tenha que concordar com isso. Tirando o Vagner Love, que simplesmente o Flamengo não tinha grana para mantê-lo (não tinha para o salário muito acima do que os caras estão pagando como teto e ainda tinha que pagar a compra dele - lembra-se?), a limpa decretada tinha alguns jogadores que não caiam na graça da torcida. Alguns foram emprestados, outros foram encostados e ao longo do tempo, os problemas foram resolvidos, com quem queria resolver. Foi assim com Bottinelli, Cleber Santana, Magal, Ibson, Welinton, Romulo, Airton, Maldonado, Muralha, Alex Silva, Liedson dentre outros. Alguns desses citados, o Flamengo preferiu pagar uma parcela menor do que o salário que pagaria, já que tinham contrato assinado.

Isso pode parecer uma coisa fácil de se fazer, mas não é. Além do "trâmite" não ser nada fácil, com jogadores e empresários querendo levar vantagem, mesmo com todo o amor declarado ao clube em outrora, a parcela que fica para pagar acaba entrando na folha salarial mensal dos jogadores, o que acaba onerando o custo do Flamengo. E pode custar o valor de um "caipira" na folha salarial atual, por exemplo.

O Wallim, quando fala que o Sócio-Torcedor está aquém do que se espera para contratar uma grande estrela, está falando da expectativa dele. E externa uma frustração. DELE! Ele tem o direito de fazer isso. Assim como a gente tem o direito de criticá-lo. A diretoria do Flamengo nunca escondeu de ninguém que o sócio-torcedor era a maneira que o torcedor tinha de ajudar o clube a reforçar o time.  Foi enfático, exagerou na mensagem, usou uma linguagem que desagradou a muitos torcedores, mas não enganou, não foi leviano quanto aos reforços. Deixou claro que receitas de patrocinadores eram, praticamente, para saldar o compromisso que fizeram em busca da CND para ter um bom patrocínio master. Foi uma escolha deles (e mais uma vez, você tem todo o direito de concordar ou discordar!), mas foram bem claro, desde o ínicio.

Infelizmente, o que arrecadamos de sócio-torcedor permite contratar André Santos, Marcelo Moreno, Mano Menezes, "caipiras" paulistas e paga mensalidades de acordos de jogadores superfaturados da gestão passada. Pode não ser o ideal, mas é o que temos. Se você fosse o Wallim, não teria o sentimento de frustração. Queremos, assim como ele, pelo menos uma grande estrela no Flamengo e o socio-torcedor bombando. Mas achar que o Wallim, culpa a torcida por isso, é melindre demais. É um mimimi que aponta mesmo para a Botafoguetização do Flamengo. É tipo a Síndrome da Colônia de achar que tudo que é dito é para te minimizar.  A gente sabe que, nesse processo, se for para apontar culpados, vem algumas coisas a frente da torcida.

O Wallim e a diretoria estão do nosso lado, querem o Flamengo melhor, mais forte, com mais jogadores de maior qualidade. Ou você tem a ilusão que é bacana para o Wallim voltar de férias e ser bombardeado por questões negativas? Que é legal para o presidente voltar num vôo com torcedores rubro negros depois de um jogo como o Bahia? Vocês acham que eles não sentem a vergonha como a gente sente?

Ajudar o Flamengo sendo sócio-torcedor é opção de cada um, que sabe o que faz com o seu dinheiro. Assim como acreditar que o Wallim critica a torcida quando essa é a única forma dele ter melhor condições de trabalho também é opção de cada um.

Está bem claro na minha cabeça que só teremos um time melhor se o Sócio Torcedor continuar a aumentar, pelo menos nesse ínicio de mandato do Eduardo. Essa foi a escolha dos caras. Eu continuo seguindo na linha do #SóSeEnganaQuemQuer.

Saudações.


PS 1: Não entendo muito de mercado de futebol para saber (e afirmar) que o que o Flamengo ganha do sócio torcedor dá para armar um time melhor do que temos hoje. Para mim, não dá, mas é opinião baseada em achismo, não em fatos.

PS 2: Continuo achando que o programa sócio torcedor do Flamengo tinha que ter maiores benefícios, principalmente para "praças" onde o Flamengo não tem jogo. Beneficio em ingresso é pouco para engajamento da Nação.

PS 3: Continuo achando que o Calcanhar de Aquiles desta gestão é o futebol.
E as pessoas que lá estão colaboram para isso. Provavelmente, falarei disso em outro post, mais para frente.




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