Migonianas: os desafios do novo Presidente do Flamengo








(Foto: Extra)

Após uma campanha bastante acalorada – e que me rendeu pessoalmente alguns dissabores, desafetos e antipatias – eis que Eduardo Bandeira de Mello (foto), da Chapa Azul, foi eleito o novo presidente do Flamengo na noite de ontem.

O objetivo deste post é tentar elencar os desafios que a nova diretoria terá nos próximos três anos, bem como registrar algumas impressões de quem acompanhou de perto o processo e teve acesso a algumas informações de bastidores.

Uma primeira coisa a ser dita é que apesar da eleição de Bandeira de Mello, o poder estará concentrado nas mãos de duas pessoas: Luis Eduardo Baptista (o "BAP"), diretor de marketing (e presidente da SKY) e o gestor profissional Wallim Vasconcelos. Bandeira de Mello somente foi o candidato porque os dois citados se tornaram inelegíveis durante o processo eleitoral – BAP já o era antecipadamente.

Apesar das afirmações em contrário, parece claro que a gestão será ainda sob o velho modelo, com alguma profissionalização em alguns setores – o que já seria grande avanço. O vice presidente eleito Walter D'Agostino é da "velha turma" e alguma composição com lideranças políticas teve e terá de ser feita – vale lembrar o apoio de ex-presidentes como Kleber Leite e Márcio Braga à chapa.

Algo que a diretoria eleita terá de lidar é com a expectativa da torcida por resultados rápidos – e revolucionários. Quem acompanhou a campanha (especialmente nas redes sociais) viu um messianismo incontrolável, com patrulhamento ideológico e altíssima expectativa. Paralelamente toda uma curva de aprendizado terá de ser realizada, pois os eleitos não possuem experiência anterior em um clube de futebol.

Em tempo: pessoalmente, não acredito em "salvadores da pátria" e coisas correlatas. Acredito em trabalho duro e, o mais importante: dentro das regras estabelecidas.
Além disso, apesar do discurso de que "o Flamengo tem de trazer a torcida para a sua casa", por tudo que acompanhei durante o processo não acredito que o clube implemente um projeto de sócio torcedor com direito a voto. Algo nesta linha, se houver, será apenas algo como programas anteriores, talvez com facilidades para compra de ingressos – e olhe lá.

Também por tudo que houve durante a campanha – quem expressava ressalvas ou críticas era severamente patrulhado, a ponto de aqui mesmo terem vindo me xingar em mais de uma ocasião – acredito que haverá alguma tentativa de se calar críticos e mesmo restrições ao trabalho da imprensa. Não me surpreenderia com tentativas de expulsão em massa de opositores e processos judiciais a críticos da gestão.

Uma coisa a meu ver é certa: não deverá ser uma gestão muito "democrática", no sentido de se ouvir críticas ou demandas de sócios, stakeholderse torcida. Espero sinceramente estar errado nesta avaliação.

Deve-se observar também qual será a atitude da diretoria eleita em relação às torcidas organizadas. Embora a chapa tenha sido apoiada por praticamente todas as principais torcidas, acredito que haja um distanciamento da diretoria eleita às TOs, inclusive com desvinculação total do clube em relação a estes torcedores. Mas neste caso específico, na teoria a prática é outra: então teremos de aguardar.

Outra questão que a diretoria eleita terá de lidar são com os conflitos de interesse evidentes que fatalmente ocorrerão entre o clube e as empresas dos executivos integrantes da diretoria. Não vi em nenhum lugar referências ao modelo de governança que será adotado, de modo que não se sabe o que ocorrerá quando estes interesses conflitarem.
Um desafio a ser enfrentado é a questão da dívida. Houve crescimento indubitável nos últimos três anos e mesmo a formação de um "comitê de renegociação" talvez não seja suficiente para se alcançar uma solução sustentável e com resolução a curto e médios prazos. Além disso, há pendências de salários, contas de concessionárias e outras dívidas de curto prazo a serem equacionadas rapidamente.

Sobre o time de futebol, este precisa de uma reformulação radical. Talvez para o Estadual valesse a pena mesclar os garotos com dois ou três mais experientes a fim de se ganhar tempo e permitir a montagem de uma equipe forte para o Campeonato Brasileiro, maior objetivo do ano.

O futebol precisa ser rapidamente reformulado e o caminho híbrido que deverá ser tomado pela nova diretoria precisará ter uma calibração eficiente. Digo híbrido porque a plataforma de campanha promete profissionalização total, mas em termos de governança ainda haverá subordinação ao Diretor Amador. Isso foi tentado outras vezes e não deu muito certo.

Mais um desafio que a nova diretoria terá de enfrentar é o estádio a ser utilizado pelo clube. A plataforma indica a construção de uma nova arena para 50 mil torcedores e a não participação no Maracanã nos moldes em que foi colocada pelo governo do Estado a concessão de uso. Vale lembrar que o contrato para o uso do Engenhão, que vence dia 31 próximo, não foi renovado, o que significa que há um problema premente a resolver – onde jogar o Campeonato Estadual e o início do Brasileirão?

Tarefa hercúlea, destarte, é reestruturar o marketing do clube, que passou 2012 inteiro sem um patrocinador master e ainda adquiriu a fama de não respeitar os contratos que assume – haja visto o recente distrato com a Olympikus. Pelo menos o indicado para empreender este trabalho de reconstrução é o respeitado e competente João Henrique Areias, em quem confio.

Não podem ser esquecidos, também, a sede social e os esportes olímpicos. Carros chefes da administração anterior, demonstraram que carreiam um número expressivo de votos e não podem ficar esquecidos pela diretoria que assume.

Patrimonialmente o clube precisa completar o processo de cessão do prédio do Morro da Viúva (no bairro do Flamengo), que será transformado em hotel. Além de encontrar uma destinação para o casarão de São Conrado, utilizado antigamente como concentração do elenco profissional e hoje desativado.

Encerro esperando que a diretoria eleita cumpra os compromissos assumidos em campanha e desejando sorte na tarefa de devolver ao "Mais Querido" seu lugar de protagonismo no futebol brasileiro. O mercado está mudando, o bonde da História está passando e não podemos perder nosso papel de destaque.

Saudações rubro negras.

Migonianas é uma coluna escrita pelo rubro-negro Pedro Migão, blogueiro que, eventualmente, escreve sobre o Flamengo, dentre outros assuntos.

Acesse o Ouro de Tolo, o blog do Pedro Migão.





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