3 de abril de 2022

Ficou feio demais!


A perda de um título sempre traz lições que escancaram o que a gente insiste em não ver. Mais do que a vitória, a derrota tem um efeito de abrir a cortina, revelando muitas vezes coisas que sequer imaginamos que está acontecendo. 

A visão de cada pessoa pode ser diferente quando essa cortina é aberta e vai depender das informações que se tem sobre o que está sendo escancarado, experiências passadas e momento que isso é revelado. 

Será que estamos preparados para abordar o que uma abertura de cortinas no Flamengo vai revelar? Será que podemos fazer um julgamento livre e desimpedido sem jogar hater em ninguém nem proteger quem já nos deu muitas alegrias no passado?

Embora eu seja uma pessoa cética sobre o papo que jogador no Flamengo quer derrubar técnico e joga de sacanagem para que isso aconteça, não é à toa que o Flamengo se transformou numa máquina de moer técnicos. Como coincidências não existem, há um caminho seguido para que todos os técnicos escolhidos por essa diretoria para dirigir esse grupo de jogadores com líderes bem específicos. 

A máquina de moer mandou embora um técnico assistente que não conseguiu nem impor suas ideias de jogo, mesmo perdendo jogadores numa pandemia em jogos chaves. Foi uma escolha indo à Europa e que saiu do clube levando uma multa enorme. Pela escolha, sabia-se (ou deveria saber) que precisaria de tempo para implantação de sistema de jogo. Só um retardado poderia contratar um técnico que tem estilo de jogo diferente e não dar tempo pra jogador aprender esse estilo. 

Depois, trouxeram um técnico que vinha sendo destaque no futebol brasileiro. Esperto que é, ainda conseguiu resgatar o que um elenco extremamente vitorioso e talentoso tinha para dar. Foi mantido depois de ser eliminado da Libertadores e ainda conseguiu ser campeão brasileiro, da supercopa, do carioca e encaminhou o Flamengo na Libertadores mas saiu porque o time caiu a performance. Caiu também pisou no calo de alguém internamente. Ou você é inocente o suficiente pra acreditar vem papinho de marmita em geladeira? Por favor, né. Nem eu, com ranso imenso que tenho do técnico e o nome dessa blog fala por si só, acreditaria nisso. 

Ao moer outro técnico, veio o cara campeão pelo Flamengo e da Libertadores, o diamante da temporada. Ao abrir a cortina, a gente precisa admitir, por maior que seja a raiva por aquele jogo contra o Gremio, o vexame da eliminação da Copa do Brasil, que poderia ter sido motivo de demissão, a infundada mão na cintura e o estilo "vamolapoha" que não deveria caber num clube que se gaba do faturamento de R$ 1 bilhão, o jogador de futevolei teve um azar com um sequência de fatores que vai ser difícil igualar. Foram jogos e mais jogos sem jogadores ideais, erros de arbitragem, convocações e lesões que fizeram o Flamengo chegar enfraquecido na final da Libertadores. Final perdida que ficou marcada pelo maior erro individual da história do clube. Erro esse que, se não houver uma reviravolta, será premiado com a aquisição do jogador. 

A perda do diamante da temporada demitiu o treineiro que ninguém mais suportava. Escancarou, como toda cortina aberta depois de derrotas, como o departamento de futebol do Flamengo não conseguiu se recuperar da terra arrasada que Jorge Jesus deixou. Escancarou que o blablabla de vários dirigentes do Flamengo, inclusive fora de futebol, nas diversas redes sociais, se gabando do sucesso do futebol em relação a outras gestões, envelheceu tão mal quanto o discurso vencedor que essa gente pregou. Bravateiros bananas, só que com dinheiro. 

A escolha do atual técnico do Flamengo merecia até um post à parte. Com a pressão de que não poderiam errar de novo, renovaram com jogadores chaves sem ao menos apresentar o elenco ao novo comandante. Ficaram dias e mais dias na Europa, apareceram em jogo de técnico empregado que poderia ser contratado, contrataram um técnico de seleção européia e toda sua comissão. Investiram em equipamentos solicitaram mas não investiram em jogadores pra suprir a carência do elenco. A carência está sendo suprida ao longo do ano, tanto que no último mês foram contratados 3 jogadores. Três jogadores que ainda terão que se adaptar ao elenco e estilo de jogo do técnico, que ainda não conseguiu mostrar ao que veio. Tá cedo? 

Embora eu não tenha gostado das últimas atuações do time do Flamengo, até acredito que o Paulo Sousa possa melhorar. Mas a gente precisa, ao falar do esquema do Paulo, dizer que os jogadores não fazem a mínima questão de seguir o que o treinador manda. Os pitis do treinador na beira do campo nos jogos da final contra o Fluminense demonstram isso. Enquanto tem técnico que bota a mão na cintura e faz bico, portugueses dão broncas e estão pouco ligando pra quem é a bronca. O outro português também era assim. 

Independente se você gosta do esquema ou não, se você acha que o técnico é um professor pardal, preciso pontuar, até para ser honesta, que grande parte dos gols sofridos pelo time dirigido pelo Paulo Sousa vieram de falhas individuais. Preciso falar também o que é notório: o preciosismo e a individualidade está atrapalhando o rendimento ofensivo do time. 

Acredito que ninguém possa discordar  que levar gols e não fazê-los prejudicam a implantação de qualquer esquema, né? Sei bem que o Paulo tem errado em escalações e substituições, que ele tem sua parcela de culpa quando coloca zagueiro em posição errada  mas estamos falando de jogadores profissionais. O mínimo de comprometimento e eficiência tem que ser exigido se não a máquina de moer técnicos continuará a pleno vapor. Não dá mais para suportar erros sendo cometidos em finais serem relevados como se não fossem absolutamente nada. Erros devem ser tratados como erros como em qualquer outra área. Sao erros, são profissionais, é prejuízo acontecendo.  

Vamos dar nome aos bois? Não dá para ter em campo o jogador que cometeu o maior erro individual da história do clube. Não dá pro volante perder corrida pro juiz no lance de gol do adversário numa final de campeonato. Não dá pra atacate velocista não conseguir passar pelo Ganso. Não dá pra zagueiro que falha sucessivamente continuar sendo usado e não negociarem, mesmo perdendo dinheiro. Falhou antes, falhou em final e vai continuar falhando. Poderia falar do lateral que é craque mas não consegue jogar bem em jogo decisivo, do lateral que destoa em qualidade do resto do elenco, do atacante ou do meia que estão com a cabeça na Copa e vão acabar não indo proque não rendem o que tem que render. Poderia nominar os jogadores outrora campeões que estão jogando a idolatria de uma geração no lixo por causa das seguidas derrotas, cada vez mais feias. Pessoal, ganhar ou perder faz parte do jogo mas perder feio é mais dolorido porque a cortina aberta traz coisas que entristecem mais. 

A atuação do time (nem tô falando do resultado) nos dois jogos da final deveria servir para apoio de tomadas de decisões que melhoraria nossa performance. Mas não vai acontecer porque são bravateiros que não tem competência. É bem ruim constatar isso. Enquanto não se passar o bastão para quem realmente entende de gestão esportiva direcionada ao futebol, sem conchavos com terceiros e que preza a competividade e resultados, com processos e protocolos reconhecidos pela ciência, estaremos fadados a não só moer técnicos mas a vergonha aumentar em cada cortina aberta. 

Ficou feio demais atuação dos jogadores em campo, a histeria do técnico na beira dele e todo o amadorismo escancarado fora dele. 

Fica a lamentação por uma turma poderia estar na galeria de Ídolos do clube mas que está perdendo o status por atuações e atitudes medíocres em sequência. Torcedor é apaixonado e tolera muitas coisas mas bobo não é. 

Esse texto não foi escrito com raiva, teve uma noite de descanso e não é somente uma constatação de UMA derrota. É uma contastacão após VÁRIAS.  

Saudações! 



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