"Domingo eu vou ver o meu time jogar" por Nívea Richa






Me lembro do último Flamengo x Botafogo no Maraca. Um pouco antes do estádio fechar as portas para a reforma. Uma noite chuvosa, um Flamengo de 2010, que dava vontade de chorar (o de agora tá tenso, mas te garanto que o do segundo semestre de 2010 dá arrepios só de lembrar). Flamengo aos trancos e barrancos ganhou. 1x0. Gol chorado do Paulo Sérgio.

3 anos sem o Maracanã. Foi duro. E olha que nunca tive problema com o Engenhão. Procurei acompanhar o Mengão lá em todos os jogos que pude. Chegou um momento que deu de Engenhão, a saudade do Maraca começou a doer. Depois que mudei pra Tijuca, ficava pensando "Agora vou à pé, volta logo". Senti o gostinho em dois jogos da seleção brasileira. O amistoso contra a Inglaterra e a final da Copa das Confederações, que foi um jogaço, diga-se de passagem. Mas faltava o Flamengo. Faltava gritar "O Maraca é nosso, vai começar a festa", no Maracanã de novo, e não em Volta Redonda ou no Engenhão. E chegou o dia.

Flamengo vinha de uma derrota contra o Inter, mas jogando muito bem. Botafogo líder (pfff). Tinha tudo pra ser um jogão. E foi.

Torcida do Foguinho não compareceu. Estou começando a achar que aquilo é a torcida toda. Realmente, não tem mais ninguém pra entrar. Torcida do Flamengo lotando anel superior e inferior. Entrando e admirando o "novo Maracanã". Como disse João Máximo após ser perguntado pelo PVC se ele não se sentiu órfão do estádio como era: "Não! Eu acho que ganhei um novo amigo!" Esse era o meu espírito e era o que eu via nos rostos rubro-negros domingo.

O estádio está bem diferente, mas a Nação não. Quem temia a frieza da modernidade,  deixou isso de lado completamente, na entrada das bandeiras das torcidas. Mais ainda, quando o time entrou em campo. Coisa linda de se ver. Rubro-negros chorando, emocionados com o Mengo de volta pra casa. Podendo cantar e realmente ser ouvido. A pior coisa do Engenhão, sem dúvida, é a acústica.

Quem vê a torcida vibrando, cantando, não sabe se a cadeira é italiana ou de cimento. O que faz o estádio é a torcida, não a qualidade da cadeira.

A energia do Maracanã continua a mesma. Posso garantir.

Alguns veículos da mídia esconderam a festa da torcida do Fla e deram zoom na do Botafogo, pra insinuar que estava cheia, mas eu posso garantir: a nossa torcida estava lá, mais Flamenga do que nunca, feliz por estar em casa, por poder curtir o Flamengo.

E olha que foi um primeiro tempo difícil. Sensação que a água tinha sido batizada, time parecia não raciocinar. Resultado: gol do faísca. Acaba primeiro tempo, acaba. Esse era o pensamento. Acabou. Mano fez substituições certeiras. Adryan e Luis Antônio mudaram o jogo. Ah, o Flamengo voltou. Começou a fazer jus à torcida que ali estava, à Nação que tanto esperou o retorno pra casa. Bombardeio pra cima do Bota, juiz fazendo besteira atrás de besteira. Bola na trave, gol anulado, reclamação...tudo que um clássico e um Flamengo de volta ao Maracanã merecia. Emocionada, sem voz, a torcida rubro-negra teve que assistir à pequena torcida botafoguense cantar quando completava 45 minutos do segundo tempo. Sim, foi só ali que eles deram o ar da graça, porque até no gol que sofremos cantamos mais do que eles. Tivemos que aguentar Seedorf comemorando, chamando a torcida em um escanteio, como se o jogo tivesse terminado. Coitado, teve que engolir essa e mais uns risinhos desnecessários após faltas mal marcadas a favor deles. Ainda tinha o Jefferson, fazendo cera desde o primeiro tempo...

Demorou. Precisamos de 2 gols anulados (o segundo mal anulado) para enfim, aos 49 fazer o gol de empate. O Flamengo não merecia o empate. Merecia a vitória. Fez um segundo tempo digno de Flamengo. Engoliu o Botafogo. Um empate com sabor de vitória. A cara dos poucos botafoguenses após o empate, sério, que saudade.

O meu conselho é: Curta o Flamengo, zoa o Botafoguense chorão, que pra variar, está reclamando de arbitragem. Isso é bom demais. Pare de reclamar, pelo menos hoje. São dias únicos, são sensações únicas. Esse momento não vai voltar. Aproveita, ser Flamengo é bom pra cacete! E ir ao Maracanã também! Seja ele velho ou novo.


P.S.1: Eu também acho que o ingresso estava caro. Acho também que foi uma questão de momento, de oportunidade, do Flamengo arrecadar uma grana e um modo de incentivar o sócio-torcedor. Nos próximos jogos, o Maracanã deixará de ser novidade e os valores dos ingressos cairão, naturalmente. Ou é o que esperamos, pelo menos.

P.S.2: O título é parte da música "Praia e sol", do cantor Bebeto, rubro-negro doente.

Nívea Richa é rubro negra, adora a arquibancada do Maracanã, fica rouca após jogos do Flamengo, phyna, integrante do #Lulucast, dona do Nivinha.com e "ladrilha" sua beleza no seu canal no Youtube.


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